Devocional

Pastor

Gildo Cavalcanti

Igreja Batista Regular no Valentina

28/06/2017 às 13:29

Daniel, Um Homem Fiel

INTRODUÇÃO:Contexto histórico. 
Os três primeiros reis de Israel foram Saul, Davi e Salomão. Eles governaram sobre um reino unido, formado por 12 tribos. Com tempo, a nação dividiu-se em duas. Reino do norte/Israel(10 tribos), capital Samaria  e o Reino de sul/Judá(2 tribos), capital Jerusalém.  O reino do norte foi tomado pela Assíria e o reino do sul foi tomado pela babilônia. Daniel viveu no final do período quando Israel e Judá foram divididos. A babilônia invadiu Jerusalém em três fases: no ano 605 a.C.; no ano 597 a.c. quando 10 mil pessoas foram levadas, dentre elas, Ezequiel; e em 586 a.C. quando Jerusalém foi destruída.  Daniel foi deportado na 1ª leva, em 605 a.C. É neste cenário que Daniel vai demonstrar a sua fidelidade ao Senhor. 
Eu extraí os pontos principais dessa reflexão de Lucas 16.10, onde Jesus disse o seguinte: Quem é fiel  (πιστοςpistosno pouco. Quer dizer confiável, digno de confiança, verdadeiro, alguém que é fiel  na transação de negócios, na execução de comandos, ou no desempenho de obrigações oficiais; alguém que manteve a fé com a qual se comprometeu,digno de confiança. também é fiel no muitoquem é injusto (αδικοςadikos )no pouco também é injusto nmuito. descreve alguém que viola ou violou ajustiça, alguém desonesto.

1.FIEL NO POUCO.Dn.1.8

Teria sido bem mais fácil comer das iguarias do rei. Tinha tudo para ter participado daquele banquete. Estava longe de sua terra. Não entraria em conflito com o rei. A desobediência poderia resultar em castigo severo.  Poderia ter ganhado o favor do rei e prestígio diante dele, como por exemplo, melhores posições governamentais. Entretanto, aquele jovem ficou firme, permaneceu do lado de Deus. -conseguiram mudar sua residência.v.3. Foram tirados de suas casas e arrancados do meio dos seus parentes e amigos e obrigados a irem para uma terra estranha e desconhecida. Foram forçados a estarem num lugar que eles não desejavam ficar.   

1.1 quiseram mudar a cultura dele.v.4. 
 O propósito era fazer com que esses jovens se adaptassem aos costumes,  modo de pensar, nova língua e novas ideias dos babilônios. Seria uma verdadeira lavagem cerebral.   

1.2 tentaram mudar a sua dieta.v.5
 Esse versículo mostra 3 coisas acerca deste treinamento e reeducação dos jovens hebreus: 
1.A dieta – seria diariamente; 
2.a duração – por três anos; 
3.a finalidade – para que os jovens ficassem assistindo ao rei.   

1.3 mudaram o seu nome.v.6-7. 
Vale apena relembrar o significado hebraico do nome de Daniel e de seus três amigos. O de Daniel – Deus é o meu juiz; Hananias – Jeová é misericordioso; Misael – ninguém se compara a Deus; e Azarias – Jeová é meu socorro. Assim que chegaram em Babilônia, esses quatro jovens fieis tiveram os seus nomes mudados. Eles receberam nomes que se referiam ás divindades adoradas pelos babilônios. Daniel passou a ser chamado de Beltessazar – Bel proteja sua vida; Hananias passou a ser chamado Sadraque – amigo do rei; Misael foi nomeado de Mesaque – quem é como o deus da luz ou lua?; e Azarias ganhou o nome Abedenego – servo de Nebo ou servo do deus Mercúrio. 
Notem que não foi uma simples mudança de nomes. Na verdade, o objetivo era fazer com que esses jovens esquecessem toda e qualquer ligação com o Deus dos hebreus. Eles deveriam esquecer que eram servos de Deus. 

1.4 mas não mudaram a sua fidelidade.v.8. 
 Gostaria de mencionar alguns modos como este versículo é traduzido: Tem uma versão que fala que Daniel propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei; outra tradução diz que Daniel decidiu no seu coração não se tornar impuro consumindo as iguarias do rei. Tem outra que diz o seguinte:Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei. 

Tinha necessidade desses jovens agirem dessa maneira? Qual era o problema com aquela dieta? O que tinha de mais naquela comida? Os comentaristas bíblicos apontam para dois possíveis problemas: 
1.Impureza, isto é, faziam parte da lista de animais impuros, os quais os judeus eram proibidos de comer; 
2.Idolatria. Dizem que cada refeição no palácio real iniciava-se com um ato de adoração pagã. Nada se comia ou se bebia antes que fosse dedicado a certos deuses pagãos. Os babilônios costumavam oferecer alimento e bebida em sacrifício aos seus deuses e aqueles jovens não quiseram tomar parte nem aprovar, mesmo que indiretamente, com esta prática idólatra. Não podemos esquecer que se tratava de um regime especial. O cardápio era agradável e consistia do alimento tirado da própria mesa do rei. Não era uma questão de gosto. Provavelmente eles gostavam de comer carne. Teria sido muito mais fácil decidir-se pelo desejo deles do que pelo de Deus. Entretanto, eles estavam mais interessados em agradar a Deus do que a eles mesmos. Eles foram fieis. Eles tomaram a firme decisão de ficar do lado de Deus. Lembremos que estamos falando de uma decisão tomada por jovens que deveriam ter entre 15 a 20 anos de idade. Tomemos cuidado, meus irmãos, com a falsa ideia de que só precisamos ser fieis nas coisas grandes. Devemos ser fieis também e primeiramente nas coisas pequenas. Parece que são nelas que o caráter e a fidelidade se manifestam de forma mais genuína.  
Quando toleramos pecados considerados ‘menores’, certamente cairemos nos ‘maiores’. Se Daniel não tivesse sido fiel naquele episódio menos complexo, certamente não seria num de maior dificuldade, que é o nós vamos ver agora. E nós, meus irmãos, temos nos deixado contaminar pelo mundo? Em Tg.1.27 está que a religião pura e sem mácula envolve o visitar órfãos e viúvas e guardar-se a si mesmo incontaminado do mundo.   

2. FIEL NO MUITO. Dn.6
O rei não era o mesmo. Daniel se encontrava na corte persa. O rei agora é Dario, o medo.  A idade não era a mesma. Os estudiosos dizem que no capítulo 1, ele tinha entre 15 a 20 anos. Já nos capítulos 3 e 4, ele tinha cerca de 50 anos. E no capítulo 6, que iremos examinar agora, ele tinha entre 70 ou 80 anos de idade. Daniel foi fiel como jovem, como adulto e como idoso. Isto é outro aspecto do ser fiel no pouco e no muito. Na pouca e na muita idade. Mas, não é nisso que eu quero me deter; e sim, no que diz respeito ao grau de dificuldade para sermos fieis. Muita coisa tinha mudado, mas a fidelidade de Daniel permanecia inabalável.  Volte agora os seus olhos para Daniel 6 e confira rapidamente 5 ações relacionadas á fidelidade de Daniel.   
 
2.1 Fidelidade sendo declarada.v.4. 
Um homem de fidelidade e honestidade é desconcertante para maquinadores desonestos. Ver Daniel prestes a receber uma promoção que o colocaria acima deles era mais do que os príncipes e os presidentes podiam tolerar. Eles precisavam destruir Daniel a qualquer custo. O fracasso em encontrar falhas na administração de Daniel os fez buscar uma maneira de atacá-lo no seu ponto mais forte — sua religião e a lei do seu Deus.  Que testemunho exemplar o de Daniel. As pessoas não encontraram nenhuma oportunidade para acusarem aquele homem de Deus.    

2.2 Fidelidade sendo demonstrada.v.10. 
 Daniel tinha o hábito de orar. Tratava-se de uma prática adquirida há muito tempo. Daniel já estava caminhando com o Senhor por mais de 80 anos. Ele não parou de orar mesmo sabendo que estava transgredindo uma ordem real, e quando isto ocorria a punição era certa e severa. Ele poderia ter fechado as janelas e orado silenciosamente. Poderia ter deixado a cidade para orar noutro local. Ele poderia ainda ter dado um tempo na sua vida de oração, até que o decreto expirasse. Daniel não mudou os seus bons hábitos, mesmo debaixo de uma proibição.  Para Daniel, a alteração de seus hábitos de devoção ou tornar secreta a sua relação com o seu Deus seria uma espécie de negação ou um mau testemunho. Ele continuou fazendo as suas orações diárias. Como somos diferentes de Daniel. Nós temos liberdade para orar e não oramos. Já pensou se fosse proibida a ida dos crentes para os cultos de oração? Quem desobedece a ordem seria preso. Até que ponto trocaríamos a nossa liberdade por um culto de oração? Pense nisso. Daniel trocou a sua vida pelo privilégio de manter sua comunhão com Deus por meio da oração.   

2.3 Fidelidade sendo testada.v.16a
O rei gostava tanto de Daniel, que não foi difícil que ele tenha perguntado se o profeta prometia que não iria mais orar ao seu Deus. A fidelidade de Daniel ao Senhor não o deixou desistir; a fidelidade do rei ás leis medo-persas não lhe deixaram desistir. Daniel foi lançado na cova dos leões. Daniel levantou o pendão da fé e foi firme sempre até morrer. Um pregador puritano certa vez disse o seguinte: ‘Deus testa com provações, o diabo testa com tentações e o mundo testa com perseguições. Assim como Daniel, devemos ser fieis quando a dificuldade for pouca e quando a dificuldade for muita. Que exemplo de fidelidade! Há uma passagem no NT que nos convoca a termos essa atitude de Daniel. 1 Pe.3.13-17.  
  
2.4 Fidelidade sendo incentivada. v.16b
 O rei ficou triste quando percebeu as implicações da sua ação precipitada. Ele propôs dentro do seu coração livrar a Daniel. Entretanto as inflexíveis leis persas limitaram a sua intervenção. Apesar de ser pagão, o rei Dario incentivou Daniel. Ele disse que não poderia fazer mais nada por ele, mas o Deus dos hebreus era poderoso para salva-lo.Até um reiincrédulo tinhanotado a firmezae devoçãode Daniel. Oqueos incrédulostem dito acerca de nossa vida com Deus?   

2.5 Fidelidade sendo recompensada.v.23,28. 
 Eu vejo dois sentidos nos quais a fidelidade de Daniel foi recompensada. O primeiro diz respeito á preservação de sua vida. Ele foi alvo de um grande milagre do Senhor. Esse tipo de milagre é totalmente inaceitável para aqueles que insistem em uma explanação natural para cada acontecimento. Mas para aqueles que aceitam a revelação de um Deus que é livre para agir dentro do seu próprio universo criado, esse milagre não é impossível de acontecer. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento estão repletos desse tipo de acontecimento. Em segundo lugar, Deus recompensou a fidelidade de Daniel fazendo-lhe prosperar no reino medo-persa. Aquele fiel servo de Deus continuou brilhando e testificando do Senhor perante homens poderosos. Que bela história de fidelidade. 

Que impacto aquele acontecimento  deve ter causado tanto na vida do rei quanto dos súditos. Se o rei já possuía certa admiração pelo Deus dos hebreus, agora é que ele estava impressionado com Jeová, o Deus de Daniel. A fidelidade de Daniel fez com que o nome de Deus fosse glorificado. Não foi isso o que Cristo disse em Mt.5.16? Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Conclusão: Como dissemos na introdução, Daniel foi trazido para Babilônia na primeira levada; já Ezequiel veio na 2ª deportação, quando Daniel já estava lá há oito anos.  Veja o testemunho que Ezequiel dá acerca de Daniel. Ez.14.14. Daniel foi incluído como um desses homens justos, provando que Ezequiel não tinha encontrado nenhuma falha na conduta de Daniel. É bom quando pessoas reconhecem a nossa fidelidade. 
Entretanto, sabe o que é incomparavelmente melhor? É ter a nossa fidelidade reconhecida e recompensado pelo nosso Senhor e Salvador. Mt.25.21.

Fonte: Do próprio Autor

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